Contos Tradicionaes do Povo Portuguez Notas comparativas · Part 2

Contos Tradicionaes do Povo Portuguez

Teófilo Braga

Notas comparativas

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No conto VIII dos Contos sicilianos de Laura Gonzenbach, é uma cabra que serve para pôr á prova a fidelidade do aldeão. (Vide Gubernatis, Myth. zoologique, t. I, p. 442, nota.) Nos Contos de Pomigliano, colligidos por Vittorio Imbriani, acha-se esta anedocta em que o heroe se chama José Verdade. (Rev. des Deux Mondes, Nov. 1877, p. 145.) 59. O camareiro do rei., Este conto tem uma referencia historica, sendo os personagens Frederico II e Pedro de Vigues.

Esta anedocta teve larga vulgarisação, porque acha-se não só nas Dames galantes de Brantome, como no Livro de Sendabar, no Mischlé sendabar, no Syntipas grego, e nos Sete Vizirs, com o titulo Rasto de Leão. Nas tradições populares italianas tambem está vigorosa, e acha-se nos Contos de Pomigliano de Vittorio Imbriani. Por esta versão, em que ha alguns estribilhos poeticos, se vê o sentido das referencias á vinha, da versão do Algarve.

Tambem se repete na Sicilia e em Veneza. (Vid. Rev. des Deux Mondes, Nov. 1877, p. 144.) Eis a adivinha do conto italiano: Diz o rei: Una vigna no piantà. Per travers é intrà Chi la vigna ni ha goastà. Han fait gran peccà Di far ains che tant mal. Diz a esposa: Vigna sum, vigna sarai, La mia vigna non fali mal. Responde Pedro: Se cossi è como è narrà Plu amo la vigna che fis mai. No conto veneziano vem as seguintes estrophes, que condizem com o dialogo rimado de Pedro de Vignes: A esposa:

Vinha era, e vinha sou, Fui amada, e já o não sou. E não sei porque rasão A vinha perdeu a estimação. O camareiro: Vinha eras, vinha serás, Amada eras, e já o não serás. Pela pata do leão A vinha perdeu a estimacão. O rei, comprehendendo e explicando tudo: N'aquella vinha eu entrei Em pampano algum toquei, Pelo sceptro que tenho aqui Nenhum fructo lá comi. 63. A mulher curiosa., Acha-se nos Contos populares da Gram Bretanha, trad. de Brueyre, p. 273. 64.

As favas., O sentido phallico primitivo ligado á fava, apparece em todo o seu vigor aqui; o sentido funerario explica-se pela ameaça de morte que pesa sobre o rapaz que faltou ao respeito á rainha. (Vid. Gubernatis, Mythologie des Plantes, t. II, p. 132.) Nos costumes populares da Italia, a fava branca que apparece no bolo é a rainha e a fêmea. 65. A velha das gallinhas., O thema d'este conto acha-se no Violier des Histoires romaines, cap. 56, p. 168.

São trez gallos que revelam, segundo a interpretação da camareira, a infidelidade da senhora. Este conto acha-se, segundo Gustave Brunet, no Dialogus creaturarum moralisatus e por ventura generalisou-se na Europa a titulo de Exemplo de prégadores. 67 e 68. Março marçagão., Publicado pela primeira vez pelo sr. Leite de Vasconcellos, na Vanguarda, n.º 75 e 76. O março é mythificado nos anexins populares portuguezes. Em uma versão que colligimos o estribilho era:

Eu sou o Março Marão, Que curo meadas e esteiras não. 69. A alegria da viuva., É uma fórma popular da antiga tradição da Matrona de Epheso, tão frequentemente citada nos escriptores classicos. Nas Horas de Recreyo, do padre João Baptista de Castro, vem uma redacção portugueza da Matrona de Epheso formada sobre elementos eruditos. Esta historia acha-se na collecção dos Sete sabios; Loiseleur des Longchamps, no Essai sur les Fables indiennes, p .

161, indica as fontes d'este conto mais conhecido pelo Satyricon de Petronio. Ha um estudo especial por M. Dacier, nas Mem. de l'Academie des Inscriptions, t. XLI; no Policraticus sive de Nugis Curialium, de João de Sarisberi, de 1183, vem esta lenda d'onde se vulgarisou na Edade media, e para a collecção das Cento Novelle antiche. As imitações litterarias são numerosissimas. No Novellino traz o n.º LIX. 70. A carpideira., Pertence ao cyclo do conto antecedente, um dos mais abundantes do nosso Decameron popular. 71.

Frei João Sem Cuidados., Merece comparar-se a versão oral com a redacção litteraria de Gonçalo Fernandes Trancoso, do seculo XVI, em que figura um fidalgo Dom Simão. Ha uma fórma hespanhola tambem do seculo XVI, no Patrañuelo de Timoneda, n.º XV. (Coll. de Auctores españoles, de Ribadaneyra, p. 154.) A fórma mais antiga que conhecemos é a italiana de Franco Sacchetti, contemporaneo de Dante, nas Novellas, t. I, n.º IV. A primeira versão oral portugueza foi publicada no Almanach de Lembranças, para 1861, p. 323. (Vid. n.º 160.) 72.

João Ratão (ou Grillo)., Publicado pela primeira vez na Era nova, p. 243. Em uma versão popular de Villa Real, o objecto da adivinha é um grillo, e por isso o adivinho acerta na resposta, dizendo: Ai grillo, grillo, Em que mão estás mettido. No livrinho dos Contos nacionaes para crianças, p. 47, n.º XVII, vem uma outra redacção sob o titulo de O Doutor Grillo, formando um cyclo de aventuras. Diz Gubernatis: «Na Italia, quando se propõe um enigma para ser adivinhado, ajunta-se ordinariamente como conclusão as palavras, Indovinala, grillo!

(adivinha grillo!) Esta expressão liga-se ao idiota fingido dos Contos populares, que acaba sempre por dar prova de tino. O sol envolvido na nuvem e na obscuridade da noite, é em geral o idiota mas o idiota que vê tudo, etc.» (Myth. zoolog., t. II, p. 50.) 75. Pedro de Malas Artes., Na collecção dos Contos sicilianos de Pittré ha este mesmo thema. (Rev. des Deux Mondes, 1875 (Agosto, 15), p. 883. Consiglieri Pedroso encontrou-o com o titulo de Manel tolo, correspondente ao Giufa dos contos sicilianos (Fiabe, vol. III, p. 353 da collecção de Pittré), e ás Molbohistorie da Dinamarca. (Ap.

Romania, t. IX, p. 138 a 140.) O Positivismo, t. II, p. 450., Nos Relogios fallantes, D. Francisco Manuel de Mello, allude a esta tradição corrente em Portugal no seculo XVII: «que me puderam levantar estatuas como a Pedro de Malas Artes…» (Apologos Dialogaes, p. 23.) N'esta mesma obra vem o conto da mulher que nas dôres do parto mandou accender uma vela benta, tendo em seguida o cuidado de a mandar apagar para outra vez. (Ibid., p. 196.)

Crêmos que é a esta mesma tradição que se refere o typo de Pedro de Urde-Lamas, citado na Lozana andalusa, da litteratura hespanhola do seculo XVI. No Cancioneiro da Vaticana vem uma allusão a este typo: «Chegou Payo de maas Artes.» (Canç. 1132.) 76. D. Helena., A peripecia d'este conto, o signal no peito da rainha, acha-se na Cymbelina de Shakespeare, em um conto de Boccacio, e no poema da Edade media Gerart de Nevers. 77. O guardador de porcos., Apparece nos Contos populares da Russia, na Colleção de Afanasieff, liv. V, n.º 8.

Além da traducção de alguns contos russos por G. Ralston, Gubernatis vulgarisou mais uns cem, para elemento dos estudos comparativos. Na tradição italiana do Piemonte tambem se repete esta facecia: «Um rapaz que guardava porcos, corta-lhes os rabos, lança-os n'um lameiro, e foge com elles. O patrão, vendo os rabos, cuida que os porcos se enterraram na lama. Pucha-os, mas só lhe vem na mão os rabos sem os corpos a que andavam pegados.» (Mythologie zoologique, t. I, p. 252.)

O illustre critico liga este conto a outros elementos tradicionaes para a reconstrucção popular do mytho de Hercules e Caco. 78. Nascer para ser rico., Nos Contos proveitosos, de Trancoso, Parte I, n.º XIII, O real bem ganhado versa sobre esta peripecia da pedra preciosa. 79. Dom Caio., Este conto versa sobre o equivoco da phrase: Matar sete de um golpe. Tem analogias com o Alfaiatinho valoroso, dos Contos de Grimm. (Contes choisis, p. 253.)

No Pantchatantra, a fabula do Oleiro e o Rei versa sobre este mesmo assumpto. (Trad. Lancereau, p. 289.) Na Biblioteca de las Tradiciones populares españolas, t. I, p. 121, vem este conto com o titulo de Don Juan Bolondron Mata siete de um trompom, colligido no Chili, na povoação de Santa Juana. 80. Os dez anõesinhos da Tia Verde-Agua., Nos Contos de Grimm Os anões magicos, dão realidade ao que na tradição portugueza apparece com sentido allegorico.

(Contes choisis, p. 181.) 81. O compadre Diabo., Sobre esta facecia, Gubernatis apresenta um conto russo em que o Diabo é representado pelo urso com um caracter demoniaco: «O aldeão logra duas vezes o seu companheiro urso; primeiro quando semeam juntamente nabos, e que o aldeão reserva para si o que cresce debaixo da terra, deixando ao urso o que sae e se levanta acima do chão; depois, quando elles semeam trigo, e que o urso, julgando-se agora mais esperto toma para si o que cresce debaixo da terra e cede ao aldeão o que se produz para fóra d'ella.

O aldeão está a ponto de ser devorado pelo urso, quando a raposa o vem soccorrer.» (Myth. zoologique, t. II, p. 119.) D'este conto da collecção de Afanasieff, acha-se uma variante na Noruega, n.º 74, da collecção de Asbjörnsen, e na Allemanha, na collecção de Grimm, n.º 189. Em um conto caucasico, publicado no Magazin für die Litter. des Auslands, n.º 134, de 1834, figura o Diabo, que tambem é enganado. Sobre este conto Liebrecht escreveu um estudo comparativo na Academy, de 1873, n.º 74, resumido por Gubernatis, loc. cit.

No Conde de Lucanor, de D. João Manuel, cap. 41: De lo que contescio al Bien y al Mal, vem este mesmo conto, em que tambem ha os nabos da partilha. (Ed. 1642, fl. 111.) Nos West Highlanders popular Tales, de Campbell, acha-se este conto em que figuram a raposa e o lobo, e a cultura é de aveia e depois de batatas. Ap. Contes populaires de la grande Bretagne, de Brueyre, p. 363, que traz mais estas fontes similares: Rabelais, Pentagruel, liv. IV, cap. 45 e 46.

Lafontaine, conto de Le Diable et Papefiguiere. Na tradição oral franceza o conflicto dá-se entre S. Martinho e o Diabo. Nos Contes populaires agenais, de Bladé, figura sob o titulo de La Chèvre et le Loup. Gubernatis, na Mythologie des Plantes, t. II, p. 31, cita este conto mostrando «como os mythos se deslocam e se multiplicam infinitamente, tendo muitas vezes o mesmo ponto de partida.» 82. Os corcundas., Apparece tambem na tradição popular italiana, colligida pelo prof. Gubernatis, na Botanique zoologique, t. II, p. 249, extrahida do livro do medico Pedro Piperno, do sec.

XVII, que se intitula De Nuce maga beneventana. A troca das corcundas é explicada por Gubernatis: «é evidentemente o jogo das sombras; a corcunda por detraz é a escuridão da noite, a corcunda por diante, é a sombra na alvorada.» Ha uma outra versão portugueza, de Coimbra, publicada na Revista de Ethnologia e Glottologia, p. 200., A tradição tem certa universalidade. Vide tambem Brueyre, Contes de la Grande Bretagne, p. 206, tradição da Irlanda, e Emile Souvestre, Foyer Breton, Les Korils de Plauden, ou Presente dos Gnomos.

Nos Contes populaires lorrains, de Emm. Cosquin, vem com o titulo Les Fées et les deux bossous. 83. A mulher gulosa., Esta facecia encontra-se nas tradições populares do Brazil. Sylvio Romero, colligiu-a em Pernambuco, e tral-a com o titulo A mulher dengosa, nos seus Contos populares do Brazil. 86. Dá-me o meu meio tostão., Acha-se esta facecia nos Contos sicilianos, colligidos por G. Pittré, sob o nome de Giufa. (Rev. des Deux Mondes, de 1875, 15 de Agosto, p. 833.) 87.

O soldado que foi para o céo., Acha-se na tradição da Bretanha franceza, sob o titulo de Moustache. (Em. Souvestre, Les Derniers Bretons, t. I, p. 83.) Acha-se colligido na tradição popular italiana por G. Pittré; na fórma siciliana é um frade, o Grós-Jean analogo ao Bonhomme Misère, da França, ao Prete Ulivo, da Toscana, Accacini, de Palermo, e Gingannuin, do Castellermini. (Vid. Rev. des Deux Mondes, de 1875, 15 de Agosto, p. 843.)

O soldado que recebe os trez dons, vem tambem nos contos de Grimm, o Judeu nas Silvas, trad. Baudry, p. 243. 92. A enfiada de petas., Ha uma variante de Ourilhe, nos Contos populares portuguezes, n.º LVII. 94. Manoel Feijão., É o celebre conto do Petit-Poucet, de Perrault; Emm. Cosquin colligiu-o da tradição oral outra vez nos seus Contes populaires lorrains; Maspons y Labros, tral-o nos seus Rondelaires, com o titulo En père Patufet.

Nos Contes populaires de la Grande Bretagne, trad. de Brueyre, vem na fórma de um poema Tom Thumb, e uma versão oral colligida por Campbell. Mr. Gaston Paris publicou uma outra versão popular no começo da sua monographia intitulada Petit Poucet, em que procura provar que este conto deriva do mytho da Grande Ursa. (O auctor brindou-nos com um exemplar d'este seu opusculo.) Hyacinthe Husson, na Chaine traditionelle, p. 28, discute o sentido mythico, e apresenta a indicação de uma versão russa (p. 34).

Nos Contos de Grimm é o Tom Puce, trad. de Baudry, Contes Choisis, p. 145. Gubernatis, na Mythologia zoologica, t. II, p. 159 e 160, cita o conto piemontez de Piccolino, e o conto russo de Malcik-s palcik (dedo mendinho). Nos Contos populares portuguezes, n.º XXXIII, ha uma versão de Bragança intitulada O grão de milho. Ha outra versão italiana, de Pittré: Uma variante toscana della novella del Petit Poucet. 95. Cahiu-me na minha catulinha., Acha-se tambem nos Contes populaires de la Grande Bretagne, de Brueyre, p. 377. 97.

O cego e o moço., Esta facecia popular acha-se com variantes na Hora de Recreyo, do Padre João Baptista de Castro, t. I, p. 123: O cego e o moço comendo uvas. 98. O cego e o mealheiro., Apesar de ser uma simples facecia, tem raizes tradicionaes; acha-se no Alivio de Caminhantes, de Timoneda, n.º 49, p. 181, da ed. Ribadaneyra. 100. Os tres conselhos., Além da versão oral, temos uma redacção litteraria nos Contos proveitosos de Trancoso, do seculo XVI.

No Conde de Lucanor, cap. XLV, fl. 119, ha uma versão, indubitavelmente de origem arabe. No Violier des Histoires romaines (Gesta Romanorum), cap. 94, uma outra versão moralisada, com notas. No Patrañuelo, de Timoneda, n.º XVII, vem uma historia analoga. Vid. n.º 161. 104. A estatua que come., Convém aproximar esta lenda do conto da Mirra, n.º 62, para se completarem os elementos da lenda de Dom João em Portugal. No n.º V do Positivismo, vol. IV, vem um estudo ácerca dos vestigios mythicos d'esta tradição. 105.

As adivinhas em anexins., Nos Adagios, do Padre Antonio Delicado, do seculo XVII, vem estes anexins a pag. 44, o que nos determina certa antiguidade da facecia. Ha uma variante nos Contos infantis. 106. A mulher teimosa., Edelestand du Méril, na Histoire de la Fable esopique, (Ap. Poésies inedites du Moyen-Age, p. 154, not. 5) cita um manuscripto da Bibliotheca de Bruxellas, do seculo XV, no qual se acha esta mesma fabula com o titulo De homine et uxore litigiosa.

Transcrevemos a peripecia final: «Illa, autem, quia jam linguam amiserat et loqui non potuit, signo quo valuit, pertinaciam ostendit, forcipi formam et officium digitis ostentans.» 107. O jogo do Pira., Este conto acha-se no seculo XVI, em uma comedia do celebre Giordano Bruno, intitulada Candelajo; Barra, que é um freguez, para não pagar na taverna, propõe varios jogos, que são successivamente regeitados, e por fim propõe darem uma carreira, o que lhe serve de pretexto para se escapulir.

No seculo XVIII este conto teve tambem uma nova fórma dramatica na comedia de cordel O gallego lorpa ou os Tolineiros. Vid. Historia do theatro portuguez, t. III. 108. O caso do tio Jorge., Recebemos esta facecia colligida na Ilha de S. Miguel pelo nosso eminente zoologista Francisco de Arruda Furtado. Conheciamol-a em prosa. Existe um pequeno fabliau sobre esta aventura, na litteratura franceza da Edade media. 109. Os dois irmãos e a mulher morta., Acha-se publicado no Elvense, n. 202, 205 e 206, III anno, com uma redacção litteraria que prejudica o seu valor tradicional.

Pertence ao cyclo do Frade morto, aqui substituido por uma cunhada, o que é uma circumstancia accidental. Ha cinco versões portuguezas do Frade morto; na tradição peninsular acha-se no Patrañuelo de Timoneda, n.º III; no Fabliau du Prêtre qu'on porte (Hist. litteraire de la France, t. XXIII, p. 141); na antiga tradição italiana: Cinquante Novelle de Masuccio, n.º 1; e modernamente acha-se colligido por Pittré, nos Fiabe e Racconti, n.º 165: Fra Ghinipera.

Na collecção dos Contos russos, de Erlenwein, n.º 17, acha-se a tradição do frade morto. (Gubernatis, Myth. zoologique, t. II, p. 214.) 111. Para quem canta o cuco?, Acha-se esta facecia na collecção quinhentista de Timoneda, Sobremesa y Alivio de caminantes, conto 57. (Ed. Ribadaneyra, p. 181.) 112. Tudo andaremos., É hoje uma locução portugueza, sendo o conto menos vulgar. Na collecção de Timoneda, Alivio de Caminantes, n.º 33, vem uma versão d'esta facecia. (Ed.

Ribadaneyra, p. 179.) 113. A mulher que cegou o marido., Apparece este conto no Pantchatantra, (Vid trad. franceza de Lancereau, p. 265) com o titulo O Brahmane e sua mulher. 114. O tolo e as moscas., Pittré colligiu tambem esta facecia nos seus Contos sicilianos. (Vid. critica na Revue des Deux Mondes, 15 de Agosto de 1875, p. 857.) 115. Já que tanto teima., No Conde de Lucanor, de D. João Manoel, n.º XXXIV, fl. 101, v., encontra-se como conto o que em Portugal se repete quasi que exclusivamente como locução. 116.

Tic-taco., Esta facecia insulana acha-se nas Notte piacevoli de Straparole (Facetieuses nuits, nuit II, fab. 5.) Um fabliau da Edade media desenvolveu este conto De la Dame qui attrapa un Prêtre. Vid. outros paradigmas na versão franceza de Straparole, p. XX. 117. As orelhas do Abbade., Esta vulgarissima facecia já se encontra na Sobremesa y Alivio de Caminantes, conto 51, da edição Ribadaneyra, p. 181. Acha-se no Fabliau des Perdrix (Recueil de Fabliaux, p. 159); no Passa tempo dè Curiosi, p. 22; nos Nouveaux Contes à rire, p. 266; nas Facetie, motti et burle, da Ch.

Zabata, p. 36; e nos Contes du Sieur d'Ouville, t. II, p. 225. 118. Os duzentos carneiros., É um conto typico; encontra-se no Castoiement d'un Père à son Fils; nas Cento Novelle antiche, n.º XXX; no Don Quijote e no Recueil de Fabliaux, p. 1, Paris, 1829. (Bibl. choisie.) 120. Lenda da Mãe de S. Pedro., Acha-se em muitas terras de Portugal; Pittré encontrou-a na tradição italiana, mas em vez de ser a rama de cebola é uma folha de pereiro.

A mãe de S. Pedro é uma locução proverbial em toda a Sicilia, Veneza, Toscana, Frioul, etc. (Vid. Revue des Deux Mondes, de 15 de Agosto de 1875, p. 843.) Adiante, sob o n.º 215, reapparece o typo popular de S. Pedro em um genero de contos muito vulgares em Andalusia com o titulo de Susedios. 123. O lavrador e o Ermitão., O sr. Leite de Vasconcellos traz na revista El Folk Lore andaluz, (ann. I, n.º 5, p. 176) uma variante d'esta lenda colhida nas Duas Egrejas, do concelho de Mirandella, servindo de paradigma a uma versão andaluza de Rodriguez Marin, publicada no Folk Lore andaluz, n.º 2, p. 31-33. 124.

O thesouro enterrado., Acha-se uma versão de Celorico de Basto publicada na Revista de Ethnologia e Glottologia, p. 170. O sr. Sylvio Romero, na sua collecção de Contos populares do Brazil, tral-o com o titulo O ouro dos Maribondos, tendo sido anteriormente publicado na Revista brazileira. 125. As vozes dos animaes., Ha uma outra versão colligida pelo sr. Sequeira Ferraz; e uma versão franceza, intitulada: Les musiciens voyageurs (Vieux Contes, p. 17, Paris, 1830); tambem nos Contes populaires de la Grande Bretagne, p. 306, trad. de Bruyere.

Nos Contos dos irmãos Grimm, vem com o titulo Os musicos da cidade de Brême (Contes choisis, trad. Baudry, p. 313). Pag. 224. Ditados novellescos., Nas tradições populares são frequentes estes estribilhos iniciaes e finaes. Colhemos alguns da collecção de Leite de Vasconcellos, no Folk Lore andaluz, p. 214. Rodriguez Marin, nos Contos populares españoles, t. V, p. 46, traz as seguintes fórmulas iniciaes: Era vez y vez, Erase que se era, que nos parece analoga á fórma insulana: Era, não era, no tempo da éra.

Marin cita um trecho de Quevedo (Musa VI, rom. 29): Doncellas no sé que son, Porque me contó una vieja, Que ya son sólo en los cuentos Fruta de Erase que se era. E Cervantes tambem escreve: «Suelen los muchachos antes de comenzar un cuento ó consexa, decir: Erase lo que era: el mal que se vaia y el bien que se venga; el mal para los moros y el bien para nos otros. (Quijote, I, 20.) Em Cuba repete-se um estribilho em fórma de conto, com que se arrelia ás crianças; tral-o Marin:

Este era um gallo pelado, que tiene los pies de trapo y la cabeza al revés; Quieres que te lo cuente otra vez? (El nino responde que, si.) Yo no digo que digas si, Si no que si quieres que te cuente el cuento del Gallo-pelado. (Cantos populares españoles, t. V, p. 16.) A circumstancia de alçar o rabo e chupar o pez, acha-se em um estribilho da Extremadura hespanhola: Era uma vez y vez Una cabrita Que tenia um chivito Con los ojos de ver Y el culito de lamer.

Quieres que te le conte otra vez? (Folk Lore Betico Extremeño, p. 210.) Costa Cascaes, no Panorama (t. XII, p. 115 e 118), traz intercaladas em uns versos seus, algumas fórmulas finaes. Vid. nota 118. No final de um conto de Huelva vem «unos zapatitos de manteca». 126. O rey Leir., A tradição do rei Lear acha-se na Chronica bretã de Geoffroy de Montmouth, e no Roman de Brut, de Robert Wace. Gubernatis acha nas lendas indianas de Dirghatamas e Yayati, do Mahabaratha, «um primeiro esboço do rei Lear.» (Myth.

zoolog., t. I, p. 93.) A lenda está hoje universalisada na tragedia de Shakespeare. Sob o n.º 50 vem uma versão oral. 127. A dama pé de cabra., Na Chaine traditionelle, p. 156, Hyacinthe Husson traz uma tradição analoga das ilhas Celebes. O episodio da ida de Enheguez Guerra libertar o pae acha-se no Violier des Histoires romaines, cap. XIV, p. 37 (ed. Janet). O cavallo-fada acha-se nas Nuits facetieuses, de Straparola, III, fab. 2. Parece-nos que este mesmo fundo tradicional subsiste no romance popular da Infantina. 128.

A morte sem merecimento., Contaram-nos que este thema era objecto de um romance metrificado, que nunca encontramos na tradição popular. Sobre o mesmo assumpto existe uma tragedia de Lope de Vega. 129. A linhagem dos marinhos., Pertence ao cyclo das lendas heraldicas; o typo da mulher muda ainda persiste nas tradições populares. Vide a Muda Mudella, n.º 18. 130. Exemplo do philosopho., No Violier des Histoires romaines (Gesta Romanorum, cap.

137), tem o sentido allegorico. Vem como apologo na Historia de Barlaam e Josaphat, a qual tambem foi traduzida em portuguez no seculo XIV e se acha na Torre do Tombo. A extensão de este apologo na Edade media foi vastissima; Jubinal publicou uma redacção do seculo XIII no Nouveau Recueil de Fabliaux, t. II, p. 113; e em inglez ha uma redacção do seculo XII de Odo de Ceriton; acha-se na Legenda Aurea, de Voragine, e no Speculum Historiale, de Vicent de Beauvais, e na Vies des Péres.

Mone, publicando um texto latino, «aproxima este apologo vindo da Asia com a tradição scandinava da arvore sagrada, o carvalho Yggdrasil, cuja cima toca no céo e cuja raiz é continuamente roida por Nidhogger, a serpente infernal.» (Violier, p. 389, nota.) Esta mesma tradição acha-se nos preliminares da traducção pehlvi de Calita et Dimna, do começo do seculo VI, nas traducções arabe, hebraica e grega, e no Directorium humanae vitae. 131.

Exemplo dos tres amigos., Acha-se no Conde de Lucanor, de D. João Manoel, cap. XXXVII, fl. 104, porém mais desenvolvido. Nas Gesta Romanorum (traducção franceza, Violier, p. 297) traz o titulo De la vraye probation d'amytié. Citam-se nas notas muitas fontes tradicionaes, entre outras o Dialogus creaturarum, cap. 56; a Disciplina clericalis, de Pedro Alfonso, cap. 2.º; e Summa Predicantium, de Bromyard, vb. Amicitia; ha uma traducção arabe de Cardone, Melanges de litterature orientale, t. I, p. 78; Apologos de Stainhoewel, fl.

88; Hans Sachs fez sobre este assumpto a comedia Der halb Freund; Granuci a novella L'Eremita; acha-se tambem na parabola dos trez amigos, da Historia de Barlaam e Josaphat. 132. Exemplo allegorico da redempção., Parece-nos a fórma rudimentar d'onde se desenvolveu a novella de cavalleria celeste. É provavel que se encontre nas collecções medievaes. 133. A justiça de Trajano., Esta lenda da Edade-Media, acha-se em João Diacono, em S. Thomaz, e Dante tratou-a no seu Purgatorio, canto x; apparece no De Mirabilibus urbis Romae, e foi metrificada no Dolopathos, canto quinto. (Vid. ed.

Janet, p. 265.) Na collecção do Novellino, vem sob o n.º LXIX. A lenda continuou a ser conhecida em Portugal como thema de arte. Em uns panos de raz do palacio de D. João II estava pintada a lenda da justiça de Trajano, como o referem os chronistas. Tambem em uma festa palaciana, D. João II appareceu na sala «invencionado em Cavalleiro do Cirne.» Sobre esta outra lenda, conhecida em Portugal, póde vêr-se Jacob Grimm, nas Veillées allemandes, t. II, p. 342 a 370. (Ed.

Paris, 1838) e a larga introducção de Reifenberg na Chronica rimada de Philippe de Mouskes. 134. A morte dos avarentos., Nas facecias populares, o avarento apparece em uma grande variedade de episodios; é natural que os pregadores catholicos se apropriassem de um fundo tradicional conhecido. (Vid. n.º 99.) 135. As miserias da riqueza., O thema do rei que anda de noite pela cidade, tem uma base popular. (Vid. n.º 38 e 39.) 136. O que Deus faz é por melhor., Acha-se no Conde de Lucanor. Vid.

o conto de Trancoso, sobre o mesmo thema, mas em diversa situação. (N.º 164.) 138. Os quatro ribaldos., Este conto acha-se traduzido no Orto do Esposo, ms. da Bibliotheca de Alcobaça, do seculo XIV. A redacção mais antiga é a que vem no Pantchatantra, liv. III, n.º 4: O Brahmane e os Ladrões. (Trad. de Lancereau, p. 225, e nota resumida de Benfey, a p. 374.) Acha-se egualmente no Hitopadeça, d'onde veiu para a collecção arabe do Calila e Dimna, que foi vulgar na peninsula hispanica.

D'este conto diz Max Müller, que foi conhecido em Constantinopla por uma traducção grega pelo tempo das Cruzadas, sendo espalhada pela Europa pela obra latina intitulada Directorium humanæ vitæ. Quer pela corrente arabe quer pela latina entrou elle em Portugal, como se vê pelo caracter moral do exemplo com que é referido no livro ascetico supracitado. O conto acha-se levado na corrente da transmissão litteraria e reapparece na Filosofia Morale e nos Piacevoli Notte, de Straparola; mas é certo que elle teve uma migração oral, porque na collecção dos contos norricos de Asbjörnsen e Moe, traduzidos para inglez por Dasent, (Popular tales from the Norse) figura com o titulo de Mestre ladrão.

Acha-se na collecção mais querida da Edade media as Gesta Romanorum (Violier des Histoires romaines, cap. 132); no Decameron, de Boccacio, jornada IX, novella 3.ª; nas Facecias de Pogio, nas Cento Novelle antike, nas Novelle, de Fortini, n.º 8, e nas Novellas de Compriano. 139., A boa andança d'este mundo., Foi este o primeiro conto que deparámos ao folhear o Orto do Esposo, antes de termos prompta para a imprensa a nossa collecção.

Encontrámos uma versão oral com algumas modificações: «O amante para obter o sim da viuva, que exige que elle traga muito dinheiro, em vez de matar o mercador faz um pacto com o diabo, que lhe apparece no caminho sob esta fórma conduzindo muitas riquezas. O pacto consiste em que lhe ha-de dar a primeira pessoa que entrar em casa quando vierem do casamento. Assim se combinou. Ao sahirem da egreja já casados todos montaram a cavallo, e o noivo montou tambem um muito lindo que um criado lhe trouxe.

O cavallo rompeu logo á desfilada adiante de todos, chegou a casa, entrou pela porta dentro, e n'isto ouviu-se uma voz, que disse:, Ah damnado, que te filei! A casa foi pelos ares com tudo que tinha dentro, e quando o acompanhamento do noivado chegou ao sitio só achou um lago, que ainda cheirava a enxofre.» Ha uma preciosa versão oral nos Contos populares portuguezes, n.º LXXIV. 140. Os dois caminhos., O thema tradicional do caminho que vae dar ao céo e do que vae dar ao inferno conserva-se entre o povo. (Vid. n.º 55.) 141.

A Papisa Joanna., Acha-se uma referencia a esta lenda, no livro de Mariannus Scotus, Chron. ad annum 854, dizendo que «Leão IV teve por successor uma mulher chamada Joanna, que occupou a cadeira de Pedro durante dois annos, cinco mezes e quatro dias.» Em outro chronista do fim do seculo VIII, Sigberto (da collecção de Leibnitz), se lê: «Conta-se que este João fôra uma mulher, conhecida sómente por um dos seus familiares…» Nos Annaes de Othon, bispo de Fressingue, que chegam até 1146, diz-se que este papa João era uma mulher.

O mesmo testemunho se acha nas chronicas de Gifrid Arthur, Godefroy de Viterbo (da collecção Freher), collocando a papisa Joanna entre Leão e Bento. No seculo XIII, Martim Polonus, dominicano e penitenciario dos papas João XXI e Nicolau III, diz na sua Chron. ad annum 854 (da collecção de Leibnitz): «que Joanna era filha de paes inglezes e nascida em Mayence, e que depois de ter sido papa dois annos, cinco mezes e quatro dias, morrera de parto, em uma procissão, e foi enterrada sem honra no mesmo logar em que expirára.

Os soberanos pontifices nunca mais passaram por esta rua, e iam para a basilica de Latrão por outro caminho.» Um bispo da Galliza, Bernardo Guy, do seculo XIV, nas suas Flores temporum, tambem allude ao facto da papisa Joanna, seguindo-se a este outros, como João de Paris, Sifrid de Misnia, Sozomeno, Barlaam, monge da Calabria, e Amalarico d'Auger, na sua Nomenclatura chronologica dos Bispos de Roma. Petrarcha, na Vida dos Imperadores e dos Papas, e Boccacio, na obra De claris mulieribus, citam como facto historico a realidade da papisa Joanna, que mais tarde Allatio attribuiu impudentemente a fabricação dos protestantes.

Basta-nos citar estas auctoridades para se conhecer por que via este facto penetrou no conhecimento dos theologos portuguezes do seculo XIV, e com que intuito o citou Frei Hermenegildo de Tancos no Orto do Esposo. Merece consultar-se a monographia de Emm. Rhoïdes, La Papesse Jeanne, p. 64 a 71. 142. O firmal de prata., O thema da joia engulida por um peixe, persiste na tradição popular (vid. n.º 10); ou engulida por uma aguia (vid. n.º 21).

Nas Cantigas de Santa Maria, de D. Alfonso el Sabio, sec. XI, n.° CCCLXIX, tambem se acha esta lenda. 144. O cavalleiro e o pacto com o diabo., Esta tradição é ainda popular na Italia, e acha-se colligida na Sicilia por Pittré; a Edade media elaborou-a profundamente em cantos, contos e autos. Acha-se na narrativa do rei de Castella, Dom Sancho o Bravo, intercalada no El Libro de los Exemplos; e foi o assumpto de um drama do velho theatro francez Du chevallier qui donna sa femme au dyable.

Du Puymaigre cita uma ballada allemã sobre este mesmo thema. (La Poesie populaire en Italie, p. 42.) Nas Cantigas de Santa Maria, por D. Alfonso el Sabio, n.º CCXVI, vem esta lenda curiosa. 145. O Diabo escudeiro., Acha-se tambem nas Cantigas de Santa Maria, por D. Alfonso el Sabio, cap. VII, n.º LXVII. 149. Rosimunda., Nas Lendas allemãs, de Jacob Grimm (Les Veillées allemandes, trad. de L'Heretier de l'Ain), t. II, p. 45, vem esta tradição colligida de Paulo Diacono, e de Gotfrid.

Na poesia popular italiana ainda subsiste esta tradição germanica na fórma de romance, com o titulo a Dona Lombarda, segundo a interpretação de Nigra. Sabatini, fallando d'este canto, define a sua propagação na Italia do norte: «percorrendo dal norte al sud, la ritroviamo in Piemonte, nel Monferrato, nel Veneto e a Ferrara; nella Toscana poi più non vive ma v'é ancora chi ricorda averla udita. Si ritrova nelle Marche in Orvieto, a Viterbo, in Roma finalmente non s'ode cantar che da pochi, e cosi proseguendo non si rinviene più nelle terre meridionali e in Sicilia non se ne ha traccia veruna.» (Rivista di Letteratura popolare, p. 14.)

A obliteração da lenda á medida que se avança para o sul indica a sua origem germanica, e portanto a fórma litteraria portugueza proveiu de uma fonte erudita. 150. A bilha de azeite., Este conto é um dos mais persistentes na tradição universal. Max Müller tomou-o por thema comparativo para o seu estudo Sobre a migração das Fabulas, conferencia feita na Royal Institution, em 3 de Junho de 1870, começando pela fabula de Lafontaine La laitière et le pot au lait (Fab.

X, do livro VII), e buscando-lhe os paradigmas no Pantchatantra, liv. V, fabula IX: O Brahmane e o pote de farinha. Aproveitando dos resultados criticos de Benfey, indicaremos a área de propagação d'esta fabula: Hitopadessa, liv. IV, p. 182; Kalila e Dimna, cap. X, p. 269; Anwâr-i Souhaili, cap. VI, p. 409; Contes et fables indiennes, cap. VI, t. III, p. 50; Del governo de' regni, exemplo V, fl. 50, v.; Directorium humanæ vitæ, cap. VII; Exemplario contra los engaños, cap.

VII; Filosofie morali, trat. IV, fol. 83; Atter Esopus, de Baldo, XVI, ed. Du Méril: De viro et vase olei. Du Méril cita tambem o Dialogus creaturarum, a Sylva sermonum, e Rabelais, Gargantua , liv. I, cap. 33, como vehiculos d'esta fabula. Acha-se tambem no Eyar-i Danisch, nas Mil e uma noites, CLXXVI; no Conde de Lucanor, de D. João Manoel, n.º XXIX, fl. 97; nos Joci ac Sales, de Ottomarus Luscinus; nas Facecie, de Domenichi, liv. V; nos Contes et joyeux devis, n.º XII, de Bonaventure Des Periers; nos Sermones conviviales, de Gast; nos Apologi Phœdrii, de Regnerius, P. I, fab.

XXV; no Democritus ridens, p. 150; nas Favole e Novelle, de Pignotti, fab. VIII; vid. Lancereau, Pantchatantra, nota a pag. 388. Gubernatis, na Mythologie zoologique, t. I, p. 136, cita uma versão do Tuti-Namé, II, 26, que interpreta no sentido mythico, em que o céo e a lua são representados como um pote ou taça. No XXI conto mongolico de Siddhi-Kür, ha uma variante d'este apologo (resumido por Gubernatis, op. cit., p. 146) em que o achado é uma pelle de carneiro, de que o pae de familia pretende fazer panno, e com elle comprar um burro, e com o burro irem pedir esmola com os filhos.

Esta versão explica-nos a variante apresentada por Trancoso (vid. n.º 155), a qual encontrámos referida em uma locução popular do Porto, Minha mãe, calçotes! Sobre esta fabula vid. Loiseleur des Longchamps, Essai sur les Fables indiennes, p. 55. Ha uma redacção d'este conto sob o titulo A quarta de leite, na Hora de Recreyo, do Padre J. Baptista de Castro, p. 29. O nome de Mofina Mendes, heroina do conto da Bilha de azeite, é de proveniencia popular; Jorge Ferreira de Vasconcellos, na Aulegraphia refere-se a esta tradição metrificada por Gil Vicente: «fermosura com vangloria dana mais do que aproveita, e as mais das vezes lhe corre per davante Mofina Mendes e a boa diligencia acaba o que merecimento não alcança.» (Fl. 52.)

Na linguagem popular o nome de mofina emprega-se como sorte ou destino: a minha mofina. Jorge Ferreira allude a um outro conto popular, de um diabo cuja actividade era tal, que já não havia que lhe dar a fazer, a não ser uma corda de area: «Quer sempre ser a hydra e fazer cordas de areia.» (Eufrosina, p. 300.) Na tradição popular ainda se repete esta oração: Se o diabo viesse Para me attentar, As areias do mar Lhe mandaria contar. Walter Scott traz uma lenda escoceza semelhante. 152.

D'quellas sete ao dia., Este conto apparece ainda na tradição popular do Minho; nos Contos populares portuguezes, n.º LIII, traz o titulo Os Simplorios. 154. O odio endurecido., Este conto n.º IX da Parte I dos Contos proveitosos, de Trancoso, acha-se nas Fabulas de Aviano, n.º 42; no poema francez Les Enseignements Trebor; no fabliau Du Convoiteux et de l'Envieux, par Jean de Boves (Recueil de Fabliaux, p. 107, Bibl. choisie); na Élite des bons mots, t. II, p. 292; nos Detti et Fatti piacevoli del Guiardini, p. 99; nas Mém.

de l'Academie des Inscriptions et Belles Lettres, t. XX; o Conde de Caylus publicou um extracto do fabliau do Convoiteux; Saraiva de Sousa e o Padre João Baptista de Castro deram-lhe nova redacção litteraria. 155. Minha mãe, calçotes., Ainda ouvimos no Porto o anexim que serve de titulo a este conto. Quanto ao seu thema tradicional, vid. nota 151. 156. O real bem ganhado., O thema tradicional da pedra preciosa conserva-se no povo. Vid. n.º 78. 157.

O segredo revelado., Acha-se este conto nas Cento Novelle antiche, n.º 100; nas Novelle, de Franco Sachetti, ]] n.º XVI; nas Gesta Romanorum, cap. 124 (Violier, cap. 148); nas Cent Nouvelles nouvelles, n.º LII; nas Nuits facetieuses, de Straparola, I, da 1.ª Noite (t. I, p. 15). Tambem se repete no Livre du Chevalier de la Tour, cap. 128. O episodio do falcão morto (um carneiro, para simular um homem) vem nas Horas de recreio, de Guichardin, p. 161; nas Novelle, de Granuci, n.º V; no fabliau do Prud'homme qui donna des instructions à son fils (Rec.

de Fabliaux, p. 131), na collecção de Barbazan, e Ms. de Clayette. Vid. Melanges de litterature orientale, t . I, p. 78. Ha imitações d' este conto em Hans Sachs, em uma comedia; o Dr. Schmidt, na sua edição de Straparola determina bastantes paradigmas d'este conto, que ainda apparece nos Mille et un quart d'heure, de Gueullette. No Dolopathos, d'Hebers (ed. 1856, p. 225), acha-se esta narrativa; nos Haus-Mærchen, de Grimm, t. III, p. 176, ed.

1819, apontam-se outros paradigmas. 158. A prova das laranjas., Ha uma situação analoga no Conde de Lucanor, n.º XIX; é um herdeiro do throno o escolhido. 159. Os dois irmãos., Ha um largo estudo comparativo sobre este conto na Revista de Ethnologia e Glottologia, onde se compara a versão de Timoneda, no Patrañuelo, e as russas, thibetanas, indianas e allemãs, colligidas por Benfey, as de Sercambi e de Busoto, comparadas por Reinhold Köhler.

Vide uma fórma popular alemtejana, n.º 109. 160. Dom Simão., Vid. a versão popular com a nota respectiva ao n.º 71. 161. Os trez conselhos., Conserva-se ainda no povo este thema tradicional, a que Trancoso deu fórma litteraria. Vide n.º 100 e nota correspondente. O thema da morte do mensageiro repete-se na tradição do Pagem da Rainha Santa Izabel. (Vid. nota 173.) 162. Quanto vale a boa sogra., Nos romances metrificados, como de Dom Bozo e D. Pedro, a sogra é sempre crúa.

A mulher que engana o marido mettendo-se com elle na cama é um thema popular de muitos contos; este, porém, já recebeu fórma litteraria na composição de Shakespeare, Tudo é bom quando acaba bem. 163. O que Deus faz é pelo melhor., Acha-se no Conde de Lucanor, de D. João Manuel, n.º XVII (ed. 1642, fl. 81). Indubitavelmente esta redacção do seculo XIV tem uma fonte arabe. Sob o n.º 136 deixámos outra redacção portugueza do ms. do seculo XIV, Orto do Sposo. 164.

A rainha virtuosa e as duas irmãs., (Vid. a versão popular, n.º 39 e 40 e nota respectiva.) 165. Quem tudo quer, tudo perde., Acha-se na collecção italiana Il Novellino, conto X; passou a adaptar-se aos Jesuitas, e attribue-se a differentes personagens historicos. A fórma italiana vem em Nanuci, Manual della Letteratura, t. II, p. 65. 166. O falso principe e o verdadeiro., Sobre o thema tradicional de um principe que se dá a conhecer pela sua valentia, vide o n.º 44.

Em um conto da Edade media, que vem no Novellino, e no Baculo Pastoral, o principe é ensinado por um mestre, que tem mais doze discipulos em quem bate quando o principe erra a lição. 167. Constancia de Griselia., É notavel a relação que existe entre o texto de Trancoso e a redacção castelhana de Timoneda no seu Patrañuelo, n.º II (ed. Ribadaneyra, p. 131). Ou Timoneda traduziu a sua versão da portugueza de Trancoso, ou ambos os auctores se serviram de uma lição commum.

Esta ultima supposição parece inferir-se do folheto italiano sem data La Novella di Gualtieri, anterior aos dois. O conto de Griselides acha-se no Decameron, de Boccacio, X jornada. Du Méril, investigando as fontes tradicionaes do Decameron, cita os livros em que se acha este conto: Philippo Foresti, De plurimis claris scelestisque Mulieribus, p. 145; Bouchet, Annales d'Aquitaine, liv. III, citam-na com realidade historica. A tradição recebeu a fórma poetica no Lais del Freisne, de Marie de France.

(Oeuvres, t. I, p. 138.) Chaucer tratou este assumpto no The Clerkes Tale, e um anonymo no Gualterus and Grisalda; acha-se em uma ballada popular The Nut-Brown; representa-se nos theatros populares da Inglaterra; ha um mysterio francez de 1395, e Hans Sachs compoz uma comedia Die gedultig und gehorsam Marggräfin Griselda. (Vid. Du Méril, Histoire de la Poesie Scandinave, p. 359 e 360.) O conto de Griselida acha-se na tradição popular da Russia, na collecção de Afanasieff, liv.

5, n.º 29, do qual Gubern. dá um resumo. 169. O achado da bolsa., Acha-se tambem no Patrañuelo, n.º VI, de Timoneda (Ed. Ribadaneyra); no fabliau Du Marchand qui perdit sa bourse (Recueil de Fabliaux, p. 101, da Bibliotheque choisie); nas Novellas de Geraldo Cynthio, X, e no Novellino italiano. O conto de Trancoso, n.º XV, anda como episodio no conto do Justo juizo largamente estudado por Benfey e Köhler, sobre as versões russas, thibetanas, indianas e allemães.

Nos Contos nacionaes, n.º III, Porto, 1883, vem uma versão popular portugueza, que nos leva a crêr que Trancoso poucas vezes recorreu a fontes litterarias. 170. O capão tornado sapo., Cita-se uma variante de Cesario, lib. 60, cap. 22, em que em vez de um sapo era uma serpente. 172. O thesouro escondido., Compare-se com a tradição popular, conto n.º 88. 173. Erramos. (E Ramos?), Encontrámol-o tambem na tradição insulana, e no Porto. 174.

O pagem da Rainha., Acha-se no Patrañuelo de Timoneda, n.º XVII. (Ed. Ribadaneyra, p. 158.) Loiseleur des Longchamps, no Essai sur les Fables indiennes, p. 134, not., cita um dos Contos dos Sete Vizires, e o fabliau D'un roi qui voulut faire brûler les fils de son sénéchal. (Legrand d'Aussy, Fab., t. v, p. 56.) Esta mesma tradição acha-se na redacção ingleza das Gesta Romanorum, cap. XCVIII; nas Cento Novelle antiche (Libro di Novelle, LXVIII); nas Novellas de Geraldo Cynthio, 2.ª cent., 8.ª dez., 6.ª novella; a lenda de Santa Isabel, em Portugal, no Baculo Pastoral, de Saraiva de Sousa, já se achava em verso por Affonso o Sabio, avô do rei D. Diniz, contada como um milagre da Virgem.

A sua proveniencia oriental acha-se no Katha sarit sagara, collecção de Somadeva Bhatta, do seculo XII. (Trad. Brockaus, vol. II, p. 62.) Œsterley, na sua edição das Gesta Romanorum, cita na nota ao numero 283 os paradigmas d'esta lenda, tambem popular na Alsacia com o titulo de Fridolin, sobre que Schiller fez a Ballada Gang nach dem Eisenkammer. Vid. tambem o estudo d'Ancona, na Romania, t. III, p. 187. Repete-se ainda na tradição popular de Coimbra. 175.

A ingratidão dos filhos. O caixão de pedras., Acha-se nos fabliaux da Edade media: Le bourgeois d'Abbeville por Bernier (Recueil de Fabliaux, p. 166); o Conto do Sapo, no Doctrinal de Sapience, fl. 21, v. A herança de pedras acha-se no testamento de Fauchet, em que os logrados são os frades; ha outras versões nas Histoires plaisantes et ingenieuses, p. 146; e em Piron, Fils ingrats, comedia. Esta historia affecta outras fórmas, como é o episodio da intervenção do neto que se prepara para exercer a mesma crueldade com o pae.

Nos Contos nacionaes para crianças, n.º 1, ha uma referencia a uma versão popular ainda corrente em Portugal. Nas Horas de Recreyo, do Padre João Baptista de Castro, (p. 81) vem este thema da Velha que dá o que tem á filha. 179. A venda das gallinhas., Esta anedocta acha-se extremamente vulgarisada: nas Facetieuses journées, p. 107; nas Repues franches, de Villon; nas Facetie di Poncino, na Arcadia di Brenta, p. 152; nos Nouveaux Contes à rire, p. 262; nos Contes du sieur d'Ouville, t. II, p. 471; no Courrier facétieux, p. 355; na Histoire générale des Larrons, p. 20; na Bibliothèque de Cour, t. III, p. 23.

As variantes dão-se entre o objecto da compra e a pessoa que paga. No Conto Des trois Aveugles vem esta peripecia como episodio. (Recueil de Fabliaux, p. 85.) Nas Novelle de Morlini, n.º XIII; nas Facetieuses Nuits, XIII, fab. II, e em Bebelius, liv. 11, conto 126, acha-se este mesmo conto do jesuita portuguez, e ainda conente nas facecias populares. 184. A matrona de Epheso., Sobre esta tradição e sua fórma popular, vid. n.º 69 e nota correspondente.

189., Uma grande parte d'estas lendas e patranhas foram colligidas pelo sr. Leite de Vasconcellos, achando-se dispersas nos seus estudos criticos sobre as tradições portuguezas. 191. A lenda das manchas da Lua., Stanisláo Prato estudou largamente esta lenda no opusculo L'Uomo nella Luna, como complemento ao ensaio critico sobre Caino e le Spine secondo Dante e la tradizione popolare; n'ella cita versões de diversos paizes: Contes populaires de la Haute Bretagne, de Paul Sebilot, 2.ª serie, n.º 64; na Melusine, de Gaidoz e Rolland, p. 403-6, n.º 5; nos Norddeutsche Sagen, de Kuhn e Schwartz, n.º 55; nas Seize Superstitions populaires de la Gascogne, de Bladé, n.º 4, p. 10.

Na tradição popular açoriana é um pescador que anda de noite ás lapas, que é arrebatado para a lua. A lenda deriva-se da crença gauleza e scythica da transmigração das almas para a lua. (Vid. Belloguet, Ethnogénie gauloise, t. III, p. 184.) A ideia de castigo affrontoso é uma reacção contra o antigo respeito da crença religiosa. 192. Outra., Consiglieri Pedroso, nos seus Estudos sobre Tradições populares portuguezas, colligiu esta lenda como superstição sob o n.º 578: «O sol passou pela lua e atirou-lhe com uma mão cheia de terra; por isso ella ficou escura e com manchas.»

197 e 198., Na Revista de Ethnologia e Glottologia, vem paradigmas hespanhoes, e é conhecida na França meridional, na Suissa, Inglaterra, Escossia, Italia e Sicilia; vid. p. 103 a 108. Saco Arce traz na sua Grammatica gallega este ditado: Febreiriño corto Cós teus dias vinteoito, Si durarás mais quatro Non paraba can nin gato. 208., Na tradição popular hespanhola de Guadalcanal e Sevilha tambem se encontra esta lenda em que figura Sam Pedro, que mette o dinheiro em certo logar do Perro de las especias. (Ap.

Rodriguez Marin, Cantos populares españoles, t. IV, p. 382.) 209. Lenda do sapo e da toupeira., Vem como fórma de superstição nas Tradições populares portuguezas, de. Cons. Pedroso, n.º 577. 215. A obra de Sam Pedro., Gubernatis, na Mythologia zoologica, t. I, p. 325, explica o sentido mythico das lendas da troca de cabeças. 216 a 227., Na Italia e Hespanha são frequentes estas lendas, ultimo vestigio da elaboração dos Evangelhos populares a que a Egreja chama apocryphos.

Pittré colligiu-as sob o titulo de Cyclo legendario evangelico. Na Andaluzia este genero de contos tem um nome popular; chama-se-lhes Susedios e Suseíos, considerando-os não como contos mas Succedidos (acontecidos). Rodriguez Marin colligiu Cinco contezuelos populares andaluzes, em que Sam Pedro é o heroe, uma especie de Sancho. 221., Vem como superstição, sob o n.º 603, colligida por Consiglieri Pedroso. 225., O mesmo sob n.º 605, ampliando a lenda com as seguintes: «Os pinhões tambem foram amaldiçoados por denunciarem a passagem da Senhora com barulho.

Os fetos egualmente foram amaldiçoados pelo mesmo motivo; e esses então ficaram com as mãos na cabeça (as folhas voltadas para cima). Sob o n.º 614 traz a lenda da origem do Gato, nascido da baba do leão. 232., Esta lenda repete-se na Galliza, substituindo á Virgem Sam Thiago, e localisa-se em outras lagoas, como a de Doniños e Riega; o historiador Morguia considera esta crença da submersão de Valverde como a tradição inconsciente e remota passagem das cidades lacustres para as aldeias territoriaes.

A lenda da condemnação é commum a outras cidades de origem lacustre, como a Ars affundada no lago de Paradru. Diz o Dr. Anselmo de Andrade, de quem tomamos estes factos: «Na tradição portugueza encontra-se tambem mencionado este genero de peccado e de expiação. Uma cidade transmontana, que negou a hospitalidade a um santo, teria soffrido o castigo de ser sepultada nas aguas exactamente como as impias cidades hespanholas.» Sciencia pre-historica (As Habitações lacustres, p. 17, nota).

239., Sobre a lenda do Tributo das Donzellas elaboraram-se muitas outras tradições de etymologia popular, taes como a de Peitobordelo, Figueiredo das Donas, etc. 240., Viterbo extracta um codicilo de 1183 onde vem Benequerencia, como alatinisação do nome local, e que explica a lenda. 245., Esta lenda tambem existe em Verona, contando-se a situação como passada entre Bartolomeo Scaligero e seu irmão, que se assassinaram em uma entrevista amorosa.

(Philaréte Chasles, Etudes sur Shakespeare, p. 159.) Diz o Abbade Castro: «Muitas tradições vogam ácerca d'esta campa, que nós temos por falsas ou viciadas… referindo uns que é a sepultura dos dois irmãos, outros diversas lendas que mais se assemelham a contos de fadas ou de velhas com que embalam as crianças, do que realidades, que tenham por base algum solido fundamento.» (Panorama, t. I, da 2.ª serie, p. 359.) 246. A raposa e o lobo., Nos Contes populaires de la Grande Bretagne, trad.

de Brueyre, p. 362 (vid. nota 1, p. 364 e 365). A fabula dos Highlanders versa sobre uma panella de manteiga; é popular na Noruega, como se vê pela collecção de Absjörnsen, A Raposa e o Urso. 248. A raposa e o gallo., Nos Contos populares da Gram Bretanha, trad. de Brueyre, p. 369, vem tambem esta fabula. Acha-se em Lafontaine, Le Coq et le Renard. fim das notas.

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Contos Tradicionaes do Povo Portuguez

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  1. 01 Advertencia Preliminar 15 min
  2. 02 Da Novellistica Popular 1 hr 3 min
  3. 03 A cara de boi 10 min
  4. 04 O velho Querecas 8 min
  5. 05 O surrão 5 min
  6. 06 A saia de esquilhas 7 min
  7. 07 As trez fadas 5 min
  8. 08 A filha do rei mouro 7 min
  9. 09 As fiandeiras 5 min
  10. 10 Cravo, rosa e jasmim 9 min
  11. 11 O magico 5 min
  12. 12 O mestre das artes 6 min
  13. 13 O aprendiz do Mago 5 min
  14. 14 A bixa de sete cabeças 7 min
  15. 15 O conde-soldadinho 3 min
  16. 16 A sardinhinha 6 min
  17. 17 Maria da Silva 5 min
  18. 18 A rosa branca na bocca 3 min
  19. 19 O cavallinho das sete côres 4 min
  20. 20 A muda mudella 4 min
  21. 21 O sapatinho de setim 7 min
  22. 22 A madrasta 4 min
  23. 23 O ovo e o brilhante 3 min
  24. 24 Cabellos de ouro 4 min
  25. 25 A carpinteirasinha 3 min
  26. 26 A filha do lavrador 4 min
  27. 27 A feia que fica bonita 4 min
  28. 28 O peixinho encantado 4 min
  29. 29 O figuinho da figueira 2 min
  30. 30 A da varanda 5 min
  31. 31 A noiva formosa 3 min
  32. 32 A noiva do corvo 4 min
  33. 33 A paraboinha de ouro 4 min
  34. 34 O principe que foi correr sua ventura 11 min
  35. 35 Maria Subtil 8 min
  36. 36 O coelho branco 3 min
  37. 37 Clarinha 4 min
  38. 38 Bola-Bola 2 min
  39. 39 Linda Branca 4 min
  40. 40 O Rei-Escuta 1 min
  41. 41 As cunhadas do rei 14 min
  42. 42 Os sete encantados 3 min
  43. 43 As sonsas 4 min
  44. 44 A mão do finado 14 min
  45. 45 O rei de Napoles 8 min
  46. 46 O matador dos bichos 5 min
  47. 47 As nozes 4 min
  48. 48 As trez cidras do amor 6 min
  49. 49 A bengala de dezeseis quintaes 18 min
  50. 50 A torre de Babylonia 5 min
  51. 51 Desanda cacheira 8 min
  52. 52 O sal e a agua 4 min
  53. 53 As crianças abandonadas 4 min
  54. 54 O afilhado de Santo Antonio 3 min
  55. 55 A filha do diabo 4 min
  56. 56 As trez maçãsinhas de ouro 5 min
  57. 57 O sargento que foi ao inferno 8 min
  58. 58 A princeza que adivinha 7 min
  59. 59 A adivinha do rei 3 min
  60. 60 O boi Cardil 5 min
  61. 61 O camareiro do rei 7 min
  62. 62 O Palmeiriz d'Oliva 5 min
  63. 63 O bolo refolhado 2 min
  64. 64 A mirra 3 min
  65. 65 A mulher curiosa 2 min
  66. 66 As favas 2 min
  67. 67 A velha das gallinhas 2 min
  68. 68 A Riqueza e a Fortuna 4 min
  69. 69 Março Marçagão 2 min
  70. 70 Alegria da viuva 3 min
  71. 71 A carpideira e a viuva 1 min
  72. 72 Frei João sem cuidados 3 min
  73. 73 João Ratão (ou Grillo 3 min
  74. 74 Os trez irmãos 4 min
  75. 75 As barras de ouro 3 min
  76. 76 Pedro de Malas-Artes 7 min
  77. 77 Santa Helena 3 min
  78. 78 O guardador de porcos 3 min
  79. 79 Nascer para ser rico 5 min
  80. 80 Dom Caio 3 min
  81. 81 Os dez anõesinhos da tia Verde-Agua 3 min
  82. 82 O compadre diabo 5 min
  83. 83 Os corcundas 2 min
  84. 84 A mulher gulosa 2 min
  85. 85 As irmãs gagas 1 min
  86. 86 O tinhoso, o ranhoso e o sarnoso 1 min
  87. 87 Dá-me o meu meio tostão 3 min
  88. 88 O soldado que foi para o céo 4 min
  89. 89 O thesouro do enforcado 3 min
  90. 90 Os peixes do guardião 1 min
  91. 91 A cobra e o cordão do frade 1 min
  92. 92 O caldo de pedra 2 min
  93. 93 A enfiada de petas 3 min
  94. 94 Sempre não 3 min
  95. 95 Manoel Feijão 4 min
  96. 96 Cahiu-me na minha catulinha 2 min
  97. 97 Casar e descasar 3 min
  98. 98 O cego e o moço 1 min
  99. 99 O cego e o mealheiro 2 min
  100. 100 O avarento 2 min
  101. 101 Os trez conselhos 4 min
  102. 102 O sacco das nozes 2 min
  103. 103 O sapateiro pobre 2 min
  104. 104 O signal da Nobreza 1 min
  105. 105 A estatua que come 2 min
  106. 106 As adivinhas em anexins 2 min
  107. 107 A mulher teimosa 1 min
  108. 108 O jogo do Pira 1 min
  109. 109 O caso do tio Jorge Coutinho 3 min
  110. 110 Os dois irmãos e a mulher morta 8 min
  111. 111 Os trez patrões 1 min
  112. 112 Para quem canta o cuco? 1 min
  113. 113 Tudo andaremos 1 min
  114. 114 A mulher que cegou o marido 1 min
  115. 115 O tolo e as moscas 1 min
  116. 116 Já que tanto teima 1 min
  117. 117 Tic-taco 2 min
  118. 118 As orelhas do abbade 1 min
  119. 119 Os duzentos carneiros 1 min
  120. 120 Lenda do Paraiso 1 min
  121. 121 Lenda da mãe de Sam Pedro 2 min
  122. 122 A tunica de Christo 1 min
  123. 123 O principe mendigo 1 min
  124. 124 O lavrador e o ermitão 1 min
  125. 125 O thesouro enterrado 1 min
  126. 126 As vozes dos animaes 2 min
  127. 127 Os ditados novellescos 4 min
  128. 128 Litteratura dos Contos populares em Portugal 42 min
  129. 129 O rey Leir 2 min
  130. 130 A dama Pé de Cabra 5 min
  131. 131 A morte sem merecimento 2 min
  132. 132 A linhagem dos Marinhos 2 min
  133. 133 Exemplo do Philosopho 3 min
  134. 134 Exemplo dos trez amigos 3 min
  135. 135 Exemplo allegorico da Redempção 3 min
  136. 136 A justiça de Trajano 2 min
  137. 137 A morte dos Avarentos 2 min
  138. 138 As miserias da riqueza 3 min
  139. 139 O que Deus faz é por melhor 3 min
  140. 140 Um homem de taverna 2 min
  141. 141 Os quatro ribaldos 3 min
  142. 142 A boa andança d'este mundo 5 min
  143. 143 Os dous caminhos 2 min
  144. 144 A papisa Joanna 3 min
  145. 145 O firmal de prata 1 min
  146. 146 Os quatro ladrões 2 min
  147. 147 O cavalleiro e o pacto com o diabo 5 min
  148. 148 O diabo escudeiro 3 min
  149. 149 As maas artes das molheres 4 min
  150. 150 O rey e os cortezãos 3 min
  151. 151 As vistiduras honradas 1 min
  152. 152 Rosimunda 4 min
  153. 153 A bilha de azeite 6 min
  154. 154 O ermitão e o ladrão 2 min
  155. 155 D'aquellas sete ao dia 4 min
  156. 156 A donzella recatada 5 min
  157. 157 O odio endurecido 4 min
  158. 158 Minha mãe, calçotes 1 min
  159. 159 O real bem ganhado 7 min
  160. 160 O segredo revelado 8 min
  161. 161 A prova das laranjas 4 min
  162. 162 Os dois irmãos 14 min
  163. 163 Dom Simão 6 min
  164. 164 Os tres conselhos 12 min
  165. 165 Quanto vale a boa sogra 7 min
  166. 166 O que Deus faz é pelo melhor 4 min
  167. 167 A rainha virtuosa e as duas irmãs 13 min
  168. 168 Quem tudo quer, tudo perde 6 min
  169. 169 O falso principe e o verdadeiro 18 min
  170. 170 Constancia de Grizelia 14 min
  171. 171 O barbeiro do rei 5 min
  172. 172 O achado da bolsa 5 min
  173. 173 O capão tornado sapo 2 min
  174. 174 Os poderes do ouro 5 min
  175. 175 O thesouro escondido 1 min
  176. 176 Erramos (E Ramos? 1 min
  177. 177 O pagem da rainha 5 min
  178. 178 A ingratidão dos filhos 6 min
  179. 179 A usura de Nossa Senhora 1 min
  180. 180 O medico de boa fé 1 min
  181. 181 Não escapa de ladrão 1 min
  182. 182 A venda das gallinhas 1 min
  183. 183 O roubo do vestuario 1 min
  184. 184 A roupa dos mendigos 1 min
  185. 185 A casa dos mortos 1 min
  186. 186 As botas fiadas 1 min
  187. 187 A matrona de Epheso 1 min
  188. 188 Tejo, Douro e Guadiana 1 min
  189. 189 Lenda da Lua e da Agua 1 min
  190. 190 Lenda do Milho e do Centeio 1 min
  191. 191 Lenda das manchas da Lua 2 min
  192. 192 Lenda de Fevereiro 1 min
  193. 193 Lenda da Serpente, do Sapo e do Sardão 1 min
  194. 194 Porque os cães se cheiram 1 min
  195. 195 Lendas dos animaes 1 min
  196. 196 A prova dos lobos 1 min
  197. 197 A obra de S. Pedro 1 min
  198. 198 O canto do gallo 1 min
  199. 199 Lenda da codorniz 1 min
  200. 200 Nossa Senhora e a solha 1 min
  201. 201 Lenda do manto de Nossa Senhora 1 min
  202. 202 Lenda dos tremoços 1 min
  203. 203 Lenda de Nossa Senhora 1 min
  204. 204 A submersão das cidades 1 min
  205. 205 A lenda dos ferreiros 1 min
  206. 206 Lenda da ponte de Domingos Terne 1 min
  207. 207 Lenda da amendoeira 1 min
  208. 208 A ponte da Misarella 1 min
  209. 209 Lenda de Simancas 1 min
  210. 210 Lenda de Lamego 1 min
  211. 211 Origem do nome de Lisboa 1 min
  212. 212 A sepultura dos dois irmãos 2 min
  213. 213 Fabula da raposa e do mocho 1 min
  214. 214 A aguia e a coruja 1 min
  215. 215 A raposa e o lobo 2 min
  216. 216 A raposa no gallinheiro 1 min
  217. 217 A raposa e o gallo 1 min
  218. 218 O lobo e a ovelha 1 min
  219. 219 Notas comparativas · Part 1 1 hr 2 min
  220. 220 Notas comparativas · Part 2 54 min