Contos Tradicionaes do Povo Portuguez
A raposa e o lobo
A raposa e o lobo mataram dois carneiros e fugiram. Depois que se acharam seguros, deitaram-se a comer, mas só poderam comer um, e o outro ficou inteiro. Diz a raposa:, Compadre, é melhor enterrarmos este carneiro, e vimos cá amanhã comel-o juntos. Vae o lobo e diz-lhe:, Mas nem eu nem tu temos faro, como é que o havemos tornar a achar?, Deixa-se-lhe o rabo de fóra. Assim se fez. No dia seguinte apresenta-se o lobo e diz:, Comadre, vamos comer o carneiro?, Hoje não posso, tenho de ir ser madrinha de um cachorrinho.
O lobo fiou-se, mas a raposa foi ao lugar onde estava enterrado o carneiro e comeu um grande pedaço. No outro dia torna o lobo a perguntar-lhe:, Que nome puzeste ao teu afilhado?, Comecei-te. Responde o lobo:, Que nome! vamos comer ambos o carneiro?, Ai compadre (diz-lhe a raposa), hoje tambem não pode ser; estou convidada para ir ser madrinha. O lobo fiou-se; a raposa tornou a ir comer sósinha. Ao outro dia vem o lobo:, Que nome déste ao teu afilhado?, Meêi-te., Que nome!
(replica o lobo) Vamos comer o carneiro? A raposa tornou a escusar-se com outro baptisado, e foi acabar de comer o carneiro. O lobo vem:, Como se chama o teu afilhado?, Acabei-te., Vamos comer o carneiro? Foram e chegaram ao sitio; assim que viram o rabo, disse a raposa:, Pucha, com força, compadre. O lobo puchou, e caiu de pernas para o ár; a raposa safou-se. (Airão.) Notas 246. A raposa e o lobo., Nos Contes populaires de la Grande Bretagne, trad.
de Brueyre, p. 362 (vid. nota 1, p. 364 e 365). A fabula dos Highlanders versa sobre uma panella de manteiga; é popular na Noruega, como se vê pela collecção de Absjörnsen, A Raposa e o Urso.
End of chapter
Vesper stopped here. Sleep well.