Contos Tradicionaes do Povo Portuguez O segredo revelado

Contos Tradicionaes do Povo Portuguez

Teófilo Braga

O segredo revelado

Chapter 160 of 219 8 min aloud CC BY-SA 4.0

Um nobre cavalleiro, virtuoso e muito rico, o qual chegando por velhice á ultima hora da vida, chamou ante si um só filho que tinha:, Rogo-te que pera minha consolação, antes que morra me promettas de fazer o que te deixar por conselho; que segredo que revelar honra ou vida não no descubras a ninguem, porque se tu não guardas o que tanto te releva a ti proprio, como esperas que t’o guardará outra pessoa alguma? e n’isto de segredo te guarda principalmente de tua mulher, porque todas em geral são mudaveis, e por pouca cousa que lhe faças se póde enojar contra ti e descobrir-te o segredo.

Isto tudo o filho ouviu e entendeu, e aceitou de cumprir como o pay lhe pedia, promettendo-lhe sem falta. Mas para vêr que damno lhe podia vir de descobrir o segredo, logo propoz de descobrir algum que fosse fingido haver feito que não fizesse, para que se se descobrisse não fosse verdade, e podesse mostrar o contrario. Andando um dia o Duque á caça, trasmontou-se-lhe um nebri que elle prezava muito, e tornando sem elle á cidade, fez apregoar que daria grande achado a quem lh’o desse.

E porque nem assi appareceu, tornou a mandar pregoar que quem o encobrisse perdesse a fazenda e morresse morte natural; e a quem lh’o descobrisse e fizesse vir á mão do Duque, perdoava qualquer delicto que tivesse, ainda que fosse de morte. E nem assi o nebri appareceu, de que toda a terra estava espantada; e não parecia, porque cahiu dentro da quinta d’este mancebo, que estava perto da cidade, a qual, como era muito grande e elle achasse ali muitas aves, andou muitos dias sem saber d’elle, até que o mancebo foi um dia á quinta; andando passeando dentro, achou o nebri, e como sabia muito d’aquelle mister, o chamou e fez vir a si, e o levou a uma camara das casas da quinta, em que avia todo apparelho para a criação d’aquellas aves, e que não podesse fugir, deixando a bom recado.

Guardou comsigo a chave da casa, que era muito grande, e elle e outros passaros que ali estavam tinham bem de que se manter, porque a casa era artificialmente para isso, e estava bem provida do necessario. E deixando o nebri a recadado, matou o mancebo hum grande pavão, de muitos que ali se criavam, e cortados os pés, rabo, cabeça, o depennou e levou para sua casa; e tanto que chegou, disse a sua mulher:, Senhora, o nebri do Duque foy ter á nossa quinta, e nos tem mortas muitas de nossas aves e em satisfação d'isso eu o matei, e o trago aqui depennado para que o ceêmos, vós e eu.

Ella, tanto que o ouviu se agastou muito, e disse:, Pesa-me muito d'isso, que melhor fôra trazer-lh'o vivo ao Duque; d'aqui vos digo que me fizestes pesar, e eu não cearei d'elle, nem á mesa em que se comer. E assi, ainda que o marido a chamou e lhe mostrou o pavão, gabando-o, dizendo-lhe:, Senhora, olhae como estava gordo este nebri; vinde comer d'elle, que é tal como um gordo pavão. Ella o não quiz vêr, nem aquella noite ceou com o marido, nem sem elle, tanto se entristeceu.

Porém, passada esta noite, de ali por diante quando fallava com o marido parecia que era com uma isentidão sobeja, menos recolheita e mais despejada que d'antes, menos cortez e humilde do que sohia e por cima do hombro; no que tudo o marido attentou, tendo para si que já ella cuidava que lhe tinha o pé no pescoço em lhe saber o segredo do nebri, que na verdade estava vivo, e elle o visitava cada dia para lhe prover o que fosse necessario; e a mulher cuidava que o pavão que o marido ceou, como ouvistes, era verdadeiramente o nebri, como elle disse.

E o mancebo, desejoso de chegar ao cabo com tudo, uma tarde entrando pela porta sobre:, Porque não está a mesa posta? que fazeis á janella? (Cousa que nunca elle perguntava, nem n'isso entendia.) Ella lhe respondeu isenta:, Que quereis vós agora para isso? (com um menosprezo no marido, e gravidade n'ella, que elle não quiz soffrer; e ali lhe deu uma grande bofetada; pelo que ella, pósta em cabello, gritando muito rijo, disse:, Isso mereço eu, falso traidor?

porque ha mais de seis dias que calo e encubro tua maldade, que matastes o nebri do senhor Duque, e o comestes por lhe dar desgosto, e não porque te faltavam a ti aves prezadas que comer. Como isto foi dito a grandes brados na praça, por para pouco se teve o que mais tardou em dizel-o ao Duque, temendo que se o não descobrisse cairia em sua desgraça. O Duque tanto que o soube o mandou prender, e sem nenhuma misericordia, visto o testemunho da mulher e dos servidores e gente de sua casa, que todos affirmaram vêr-lhe trazer o nebri morto e mandal-o assar, e que o ceiara uma noite, foi por sentença mandado degolar na praça da cidade, e que perdesse sua direita parte dos bens que tinha para a corôa, conforme estava apregoado.

E tirando-o da cadeia para se executar n'elle a justiça, a este tempo tinha o mancebo junto comsigo um virtuoso padre religioso a quem tinha dado conta do caso todo como passava assi como a historia o tem contado, que ouvindo-o, logo se ergueu em pé, e disse alto a todos que o ouviram:, Este homem é julgado por falsa informação, e não é a sentença dada justamente; esperai, que eu irei fallar ao Duque, e será de outra maneira. E assi foy e contou a sua Senhoria toda a historia passada do rogo do velho pae a seu filho até o estado em que estava, por vêr o segredo que sua mulher lhe tinha, no que fingidamente lhe dissera pera a provar.

Que sua Senhoria mandasse pelo nebri á quinta, que elle lhe descobrira que era vivo e estava ali; e para mais certeza, que tomasse aquella chave e o mandasse tirar, e que se lembrasse que conforme ao pregão que mandou dar, por esto feito de lhe descobrir o nebri e fazer-lh'o aver era perdoado. Porém que elle o não pedia senão, que se todavia o quizesse mandar matar, que dissesse o pregão,, que morria por não ser obediente a seu pae, nem tomar seu conselho.

E o Duque, visto isto e entendendo a verdade do caso, mandou que fosse solto e perdoado da culpa que teve, e que soffresse o desgosto de ter sempre sua mulher comsigo, sem nunca pelo passado lhe dar remoque, nem fazer aggravo, porque visto o que succedera estava arrependida do que fizera, e que em tudo d'ali por diante guardasse os conselhos de seu pae, assi como lh'os prometteu guardar. (Trancoso, Contos, Parte I, n.º XI.) Notas

]] n.º XVI; nas Gesta Romanorum, cap. 124 (Violier, cap. 148); nas Cent Nouvelles nouvelles, n.º LII; nas Nuits facetieuses, de Straparola, I, da 1.ª Noite (t. I, p. 15). Tambem se repete no Livre du Chevalier de la Tour, cap. 128. O episodio do falcão morto (um carneiro, para simular um homem) vem nas Horas de recreio, de Guichardin, p. 161; nas Novelle, de Granuci, n.º V; no fabliau do Prud'homme qui donna des instructions à son fils (Rec.

de Fabliaux, p. 131), na collecção de Barbazan, e Ms. de Clayette. Vid. Melanges de litterature orientale, t . I, p. 78. Ha imitações d' este conto em Hans Sachs, em uma comedia; o Dr. Schmidt, na sua edição de Straparola determina bastantes paradigmas d'este conto, que ainda apparece nos Mille et un quart d'heure, de Gueullette. No Dolopathos, d'Hebers (ed. 1856, p. 225), acha-se esta narrativa; nos Haus-Mærchen, de Grimm, t. III, p. 176, ed.

1819, apontam-se outros paradigmas.

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Contents

Contos Tradicionaes do Povo Portuguez

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  1. 01 Advertencia Preliminar 15 min
  2. 02 Da Novellistica Popular 1 hr 3 min
  3. 03 A cara de boi 10 min
  4. 04 O velho Querecas 8 min
  5. 05 O surrão 5 min
  6. 06 A saia de esquilhas 7 min
  7. 07 As trez fadas 5 min
  8. 08 A filha do rei mouro 7 min
  9. 09 As fiandeiras 5 min
  10. 10 Cravo, rosa e jasmim 9 min
  11. 11 O magico 5 min
  12. 12 O mestre das artes 6 min
  13. 13 O aprendiz do Mago 5 min
  14. 14 A bixa de sete cabeças 7 min
  15. 15 O conde-soldadinho 3 min
  16. 16 A sardinhinha 6 min
  17. 17 Maria da Silva 5 min
  18. 18 A rosa branca na bocca 3 min
  19. 19 O cavallinho das sete côres 4 min
  20. 20 A muda mudella 4 min
  21. 21 O sapatinho de setim 7 min
  22. 22 A madrasta 4 min
  23. 23 O ovo e o brilhante 3 min
  24. 24 Cabellos de ouro 4 min
  25. 25 A carpinteirasinha 3 min
  26. 26 A filha do lavrador 4 min
  27. 27 A feia que fica bonita 4 min
  28. 28 O peixinho encantado 4 min
  29. 29 O figuinho da figueira 2 min
  30. 30 A da varanda 5 min
  31. 31 A noiva formosa 3 min
  32. 32 A noiva do corvo 4 min
  33. 33 A paraboinha de ouro 4 min
  34. 34 O principe que foi correr sua ventura 11 min
  35. 35 Maria Subtil 8 min
  36. 36 O coelho branco 3 min
  37. 37 Clarinha 4 min
  38. 38 Bola-Bola 2 min
  39. 39 Linda Branca 4 min
  40. 40 O Rei-Escuta 1 min
  41. 41 As cunhadas do rei 14 min
  42. 42 Os sete encantados 3 min
  43. 43 As sonsas 4 min
  44. 44 A mão do finado 14 min
  45. 45 O rei de Napoles 8 min
  46. 46 O matador dos bichos 5 min
  47. 47 As nozes 4 min
  48. 48 As trez cidras do amor 6 min
  49. 49 A bengala de dezeseis quintaes 18 min
  50. 50 A torre de Babylonia 5 min
  51. 51 Desanda cacheira 8 min
  52. 52 O sal e a agua 4 min
  53. 53 As crianças abandonadas 4 min
  54. 54 O afilhado de Santo Antonio 3 min
  55. 55 A filha do diabo 4 min
  56. 56 As trez maçãsinhas de ouro 5 min
  57. 57 O sargento que foi ao inferno 8 min
  58. 58 A princeza que adivinha 7 min
  59. 59 A adivinha do rei 3 min
  60. 60 O boi Cardil 5 min
  61. 61 O camareiro do rei 7 min
  62. 62 O Palmeiriz d'Oliva 5 min
  63. 63 O bolo refolhado 2 min
  64. 64 A mirra 3 min
  65. 65 A mulher curiosa 2 min
  66. 66 As favas 2 min
  67. 67 A velha das gallinhas 2 min
  68. 68 A Riqueza e a Fortuna 4 min
  69. 69 Março Marçagão 2 min
  70. 70 Alegria da viuva 3 min
  71. 71 A carpideira e a viuva 1 min
  72. 72 Frei João sem cuidados 3 min
  73. 73 João Ratão (ou Grillo 3 min
  74. 74 Os trez irmãos 4 min
  75. 75 As barras de ouro 3 min
  76. 76 Pedro de Malas-Artes 7 min
  77. 77 Santa Helena 3 min
  78. 78 O guardador de porcos 3 min
  79. 79 Nascer para ser rico 5 min
  80. 80 Dom Caio 3 min
  81. 81 Os dez anõesinhos da tia Verde-Agua 3 min
  82. 82 O compadre diabo 5 min
  83. 83 Os corcundas 2 min
  84. 84 A mulher gulosa 2 min
  85. 85 As irmãs gagas 1 min
  86. 86 O tinhoso, o ranhoso e o sarnoso 1 min
  87. 87 Dá-me o meu meio tostão 3 min
  88. 88 O soldado que foi para o céo 4 min
  89. 89 O thesouro do enforcado 3 min
  90. 90 Os peixes do guardião 1 min
  91. 91 A cobra e o cordão do frade 1 min
  92. 92 O caldo de pedra 2 min
  93. 93 A enfiada de petas 3 min
  94. 94 Sempre não 3 min
  95. 95 Manoel Feijão 4 min
  96. 96 Cahiu-me na minha catulinha 2 min
  97. 97 Casar e descasar 3 min
  98. 98 O cego e o moço 1 min
  99. 99 O cego e o mealheiro 2 min
  100. 100 O avarento 2 min
  101. 101 Os trez conselhos 4 min
  102. 102 O sacco das nozes 2 min
  103. 103 O sapateiro pobre 2 min
  104. 104 O signal da Nobreza 1 min
  105. 105 A estatua que come 2 min
  106. 106 As adivinhas em anexins 2 min
  107. 107 A mulher teimosa 1 min
  108. 108 O jogo do Pira 1 min
  109. 109 O caso do tio Jorge Coutinho 3 min
  110. 110 Os dois irmãos e a mulher morta 8 min
  111. 111 Os trez patrões 1 min
  112. 112 Para quem canta o cuco? 1 min
  113. 113 Tudo andaremos 1 min
  114. 114 A mulher que cegou o marido 1 min
  115. 115 O tolo e as moscas 1 min
  116. 116 Já que tanto teima 1 min
  117. 117 Tic-taco 2 min
  118. 118 As orelhas do abbade 1 min
  119. 119 Os duzentos carneiros 1 min
  120. 120 Lenda do Paraiso 1 min
  121. 121 Lenda da mãe de Sam Pedro 2 min
  122. 122 A tunica de Christo 1 min
  123. 123 O principe mendigo 1 min
  124. 124 O lavrador e o ermitão 1 min
  125. 125 O thesouro enterrado 1 min
  126. 126 As vozes dos animaes 2 min
  127. 127 Os ditados novellescos 4 min
  128. 128 Litteratura dos Contos populares em Portugal 42 min
  129. 129 O rey Leir 2 min
  130. 130 A dama Pé de Cabra 5 min
  131. 131 A morte sem merecimento 2 min
  132. 132 A linhagem dos Marinhos 2 min
  133. 133 Exemplo do Philosopho 3 min
  134. 134 Exemplo dos trez amigos 3 min
  135. 135 Exemplo allegorico da Redempção 3 min
  136. 136 A justiça de Trajano 2 min
  137. 137 A morte dos Avarentos 2 min
  138. 138 As miserias da riqueza 3 min
  139. 139 O que Deus faz é por melhor 3 min
  140. 140 Um homem de taverna 2 min
  141. 141 Os quatro ribaldos 3 min
  142. 142 A boa andança d'este mundo 5 min
  143. 143 Os dous caminhos 2 min
  144. 144 A papisa Joanna 3 min
  145. 145 O firmal de prata 1 min
  146. 146 Os quatro ladrões 2 min
  147. 147 O cavalleiro e o pacto com o diabo 5 min
  148. 148 O diabo escudeiro 3 min
  149. 149 As maas artes das molheres 4 min
  150. 150 O rey e os cortezãos 3 min
  151. 151 As vistiduras honradas 1 min
  152. 152 Rosimunda 4 min
  153. 153 A bilha de azeite 6 min
  154. 154 O ermitão e o ladrão 2 min
  155. 155 D'aquellas sete ao dia 4 min
  156. 156 A donzella recatada 5 min
  157. 157 O odio endurecido 4 min
  158. 158 Minha mãe, calçotes 1 min
  159. 159 O real bem ganhado 7 min
  160. 160 O segredo revelado 8 min
  161. 161 A prova das laranjas 4 min
  162. 162 Os dois irmãos 14 min
  163. 163 Dom Simão 6 min
  164. 164 Os tres conselhos 12 min
  165. 165 Quanto vale a boa sogra 7 min
  166. 166 O que Deus faz é pelo melhor 4 min
  167. 167 A rainha virtuosa e as duas irmãs 13 min
  168. 168 Quem tudo quer, tudo perde 6 min
  169. 169 O falso principe e o verdadeiro 18 min
  170. 170 Constancia de Grizelia 14 min
  171. 171 O barbeiro do rei 5 min
  172. 172 O achado da bolsa 5 min
  173. 173 O capão tornado sapo 2 min
  174. 174 Os poderes do ouro 5 min
  175. 175 O thesouro escondido 1 min
  176. 176 Erramos (E Ramos? 1 min
  177. 177 O pagem da rainha 5 min
  178. 178 A ingratidão dos filhos 6 min
  179. 179 A usura de Nossa Senhora 1 min
  180. 180 O medico de boa fé 1 min
  181. 181 Não escapa de ladrão 1 min
  182. 182 A venda das gallinhas 1 min
  183. 183 O roubo do vestuario 1 min
  184. 184 A roupa dos mendigos 1 min
  185. 185 A casa dos mortos 1 min
  186. 186 As botas fiadas 1 min
  187. 187 A matrona de Epheso 1 min
  188. 188 Tejo, Douro e Guadiana 1 min
  189. 189 Lenda da Lua e da Agua 1 min
  190. 190 Lenda do Milho e do Centeio 1 min
  191. 191 Lenda das manchas da Lua 2 min
  192. 192 Lenda de Fevereiro 1 min
  193. 193 Lenda da Serpente, do Sapo e do Sardão 1 min
  194. 194 Porque os cães se cheiram 1 min
  195. 195 Lendas dos animaes 1 min
  196. 196 A prova dos lobos 1 min
  197. 197 A obra de S. Pedro 1 min
  198. 198 O canto do gallo 1 min
  199. 199 Lenda da codorniz 1 min
  200. 200 Nossa Senhora e a solha 1 min
  201. 201 Lenda do manto de Nossa Senhora 1 min
  202. 202 Lenda dos tremoços 1 min
  203. 203 Lenda de Nossa Senhora 1 min
  204. 204 A submersão das cidades 1 min
  205. 205 A lenda dos ferreiros 1 min
  206. 206 Lenda da ponte de Domingos Terne 1 min
  207. 207 Lenda da amendoeira 1 min
  208. 208 A ponte da Misarella 1 min
  209. 209 Lenda de Simancas 1 min
  210. 210 Lenda de Lamego 1 min
  211. 211 Origem do nome de Lisboa 1 min
  212. 212 A sepultura dos dois irmãos 2 min
  213. 213 Fabula da raposa e do mocho 1 min
  214. 214 A aguia e a coruja 1 min
  215. 215 A raposa e o lobo 2 min
  216. 216 A raposa no gallinheiro 1 min
  217. 217 A raposa e o gallo 1 min
  218. 218 O lobo e a ovelha 1 min
  219. 219 Notas comparativas · Part 1 1 hr 2 min
  220. 220 Notas comparativas · Part 2 54 min